O Sonho

Eles eram dois, e corriam. Corriam, por montanhas e vales; à luz do Sol, o Sol posto, o Sol nascente.

Havia um sonho melancólico no seu olhar: ele sentia infinitas saudades de um tempo para lá do Mar.

Nesse sonho os corações adormeciam juntos, e logo que acordavam iam cantar. Punham-se a fugir atrás de sonhos bonitos de infinita liberdade.

E não tinham medo de estar longe, porque nunca estavam longe. Onde quer que estivessem havia sempre lugar para mais um.

E esse tempo agora finito, visto sob o olhar apaixonado do rapaz, estava presente muito ao longe; tão longe que ninguém podia vê-lo ou senti-lo. Excepto ele e ela. Excepto ele e ela, para quem o Sentimento era Real.

E nela voava um sonho magnífico de criança. (Que ninguém compreendia.) Cantava assim:
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uma linguagem que ninguém pode compreender. Cantava o amor e a alegria, cantava na língua que havia antes do tempo. E tudo nela era maravilhoso.

ele e ela estavam no tempo. E sobre eles caía o tempo, às vezes dando, às vezes pedindo, às vezes exigindo. Mas eles não viviam para o tempo. Viviam para o amor.