Preso

É preciso que te diga,
O que tenho para dizer,
Há dias, meses, anos,
em todos os segundos
Em que estou em mim.

É preciso dizê-lo
Porque só eu o posso dizer,
E é preciso dizê-lo
Porque só tu o podes ouvir.

Encerrados neste mundo,
Não lhe pertencemos.
Encerrados neste mundo,
Só lhe obedecemos
Às vezes.

É um mundo de morte
e um mundo de prazer
e um mundo de alegria
Mas o amor não é deste mundo.

O amor ultrapassa as barreiras do mundo
O amor ultrapassa as limitações do mundo
O amor ultrapassa o desejo de morte do mundo
O amor é intemporal
necessário
absoluto
Tudo, tudo.

E tu és
E eu sou
Dois exemplos de prazer,
Dois exemplos,
Dois corpos,
Duas faces,
Que apreciam o Sol,
E as montanhas
E o carnaval.

Espero-te aqui. Bem vês,
como sempre,
como sempre,
como sempre,
como sempre...
...

como sempre...

Desde antes do Sol nascer

Até depois que ele se vá pôr.

Antes e depois da morte
Conheço-te para além da morte.

Vais ao meu encontro e não me procuras
Porque eu estou em tudo o que conheces e desejas

Eu sou o princípio e o fim da tua existência,
Não vês??

Pois, por já nem saberes o meu nome não significa que me tenhas esquecido.

Como possa evitar querer morrer se me perco do princípio da existência. Se tudo o que era belo, bonito e bom parece afastado de mim nesta vida.

Não sei como posso dizer isto, afinal, o Sol continua a brilhar, as flores a germinar e pessoas muito mais belas e sábias que eu a existir. Não serão estas pessoas mais sábias e belas precisamente porque recebem mais directamente a luz do sol, apreciam a beleza das coisas simples e verdadeiras, enquanto que eu, tão ofuscado fiquei com a minha perca, que agora fecho os olhos a tudo para os revirar para dentro, para minha própria mágoa.

Que gosto é este pelo sofrimento? Que gosto é este pela prisão, pela desresponsabilização, pela vontade de não ter que viver? É assim tão difícil esta tarefa que nos espera, é assim táo melhor a alternativa depois disto?

Afinal o que teria se a tivesse? O amor pode ser como o sexo, só se quer enquanto se náo tem, depois do orgasmo perguntamos donde nos vinha o desejo, não compreendemos nada da sua importância. nem do seu sentido.

Mais do que isso
É preciso dizê-lo duma vez
Pra toda a vida.
É assim a nossa história,
Sem continuidade no tempo,
Sem palavras no tempo,
Sem gestos no tempo...